“ãrrã” e a efervescência da nova geração

"ãrrã" (foto: Divulgação/Pedro Bonacina)

"ãrrã" (foto: Divulgação/Pedro Bonacina)

Por Larissa Matheus

O elenco: dois atores. A surpresa: encenação realizada num imenso espaço cênico. Como isso se dará? Penso. Exigirá muito dos atores e uma direção criativa, certamente. No final: as expectativas são superadas. Existe em mim, em meio aos aplausos finais, uma sensação de gratidão pelo o que vi. Um texto novo e efervescente, das mãos de um brasileiro, e não mais uma adaptação das letras de um estrangeiro. Sem preconceitos, mas temos essa carência em unir “o que é nosso” com o adjetivo “qualidade”.

Vinicius Calderoni, que assina direção e dramaturgia, surpreende na narrativa cênica, em uma colagem criativa, pulsante e delicada simultaneamente. O autor e diretor propõe um mergulho em situações cotidianas, como se carregássemos uma lupa e observássemos o que já estava ali, mas ainda não tínhamos visto.

Alinhavadas com precisão, o fim de uma situação gera o início de outra, e os atores – Luciana Paes e Thiago Amaral – desdobram-se em mil faces, marcando o espetáculo com dinamismo, humor e sarcasmo. A plateia é conduzida a uma postura ativa em acompanhar os desdobramentos daquelas histórias (estranhas) de estranhos – tão inteligentemente conectadas.

Saída pela porta da sala. Confesso que a satisfação excede o que vi em cena, e que ao final, carrego uma motivação diferente. Presenciei o trabalho de uma geração jovem – como eu – que ganhou seu espaço com uma produção autoral e aplausos merecidos por essa trajetória que ninguém vê.

Em um país, onde raramente os incentivos monetários são distribuídos para além do “mercado da arte”, e na minha condição de aprendiz de direção, encontrar ãrrã foi um brinde à jovem geração que ainda acredita no fazer artístico – genuíno.

Serviço: ãrrã
7, 9, 14 e 16/12, às 21h30; 17 e 18/12, 21h e 22h30.
Direção e dramaturgia: Vinicius Calderoni. Elenco: Luciana Paes e Thiago Amaral.
Sala Crisantempo – Rua Fidalga, 521, Vila Madalena.
Ingressos: R$ 40. Duração: 60 min.
Em cartaz até 18 de dezembro de 2015.

Assistência de direção: Guilherme Magon. Cenografia: Valentina Soares e Wagner Antônio. Iluminação: Wagner Antônio. Figurino: Valentina Soares. Desenho de som: Miguel Caldas. Preparação Corporal: Fabrício Licursi. Direção de produção: César Ramos e Gustavo Sanna. Um espetáculo da Cia. Empório de Teatro Sortido com produção de Complementar produções Artísticas.