'Emoções Baratas' reestreia depois de 20 anos

sexta-feira, 30 de julho de 2010


O renomado diretor de teatro José Possi Neto remonta o premiadíssimo espetáculo "Emoções Baratas". O espetáculo show, criado por ele em 1988, que ficou em cartaz por mais de dois anos e meio, volta à pista, dia 29 de julho, às 21 horas, no Estúdio EMME (ex-Avenida Club, onde foi apresentado anteriormente).

A sua motivação começou em 1977, quando ele visitou um clube de jazz em Boston, nos Estados Unidos. “Ficava num basement, um porão... Havia muita gente. Todos eram negros. A música era fantástica e excitante, a energia da plateia cativante e sensual. Mas algo me intrigou: como vibrar com aquela música e ficar sentado nas mesas, SEM DANÇAR? Eu fiquei ali admirando aquele cenário e logo veio um pensamento: - um dia eu quero fazer um espetáculo com esse clima, mas os espectadores serão tomados pela música e vão saltar sobre as mesas e DANÇAR!”.

Depois de 11 anos nasceu "Emoções Baratas". Possi conta que na época escutou os HEARTBREAKERS executarem ao vivo 48 canções de Duke Ellington. “No primeiro momento trabalhei durante quatro semanas somente com os músicos. Editei música por música, adequando-as ao espetáculo e, assim, criei o roteiro musical antes de começar o trabalho com os bailarinos”.

O espetáculo foi criado e apresentado na linguagem de teatro-dança e foi fruto de laboratórios de interpretação, em que músicos, bailarinos e cantoras foram cuidadosamente preparados corporalmente e teatralmente para construir um teatro musical jazzístico fora de qualquer modelo antes estabelecido.

Além da banda Heartbreakers, o espetáculo revelou novos bailarinos e as cantoras Misty e Aldyel Silva. Agora, Possi Neto revisita Emoções, trás de volta os músicos do grupo Heartbreakers e apresenta novos bailarinos e duas novas cantoras: Bibba Chuqui e Karin Hils.

A excelente qualidade da banda, o frescor, a intensa energia dessa criação e sua postura inovadora fizeram a imprensa e público celebrar "Emoções Baratas" como o espetáculo cult daquela temporada, que além do Avenida Club, ficou também, por 30 meses, em cartaz no Ópera Cabaré, em São Paulo. Apresentou-se, ainda, com sucesso em Porto Alegre e em Belo Horizonte.

O ano de 2010, portanto, marca os 22 anos da estreia de "Emoções Baratas" e, para comemorar, a montagem volta atendendo ao assédio de fãs e de públicos que desejavam rever ou assistir pela primeira vez a esse espetáculo tão singular e tão festejado.

Segundo Possi, a nova montagem de Emoções vai promover um novo resultado. Assim como o espetáculo original, a atual encenação é também fruto de um trabalho sobre improvisações, provocadas e dirigidas pelo diretor, resultando em cenas e coreografias que revelam os novos intérpretes. “Eu adaptei e moldei cada artista, de acordo com suas habilidades e desempenhos em cena. Revisitei todas as etapas, elementos e detalhes”.

"Emoções Baratas" é ambientado em um cabaré, em um clube de jazz. Todos os bailarinos, à exceção do bailarino que interpreta o garçom, assim como os músicos, à exceção do baixista, começam misturados com o público, ainda no saguão de entrada.

Na pista de dança, cadeiras de madeira, típicas de cabaré, estão amontoadas. Um único foco de luz, branco e forte, banha o contrabaixo de madeira e o baixista, o qual executa o solo jazzístico – “Things ain't what they used to be” (Ellington, Persons, 1942).

O público, cantoras, músicos e bailarinos espalham-se pelo bar e pelas mesas da plateia. Três mesas especialmente construídas pela cenografia abrigam 12 espectadores e servirão também de palcos paralelos para as coreografias durante a apresentação.

O “garçom-bailarino” desconstrói a “montanha” de cadeiras, com movimentos de sua dança contemporânea. Os músicos cruzam o palco aos poucos. Alguns ocupam diretamente seus lugares na orquestra.

Por último entra um músico, carregando a sua maleta de instrumento, vestindo capa de gabardine, com um chapéu, no melhor estilo de Humphrey Bogart. Ele apoia a mala em uma das cadeiras deixadas pelo garçom. Abre a maleta e retira dela um belíssimo trompete que brilha como ouro.

Assim como o instrumento, seu som projetado reluz pelo ambiente. É o solo de “Mood Indigo” (Ellington, Irving Mils, Barney Bigard, 1931), acompanhado pelo baixo. Aos poucos se incorporam à vibrante melodia o vibrafone e o piano. Um clima de frenesi, elegância, sensualidade e música magistral é instalado.

A orquestra explode com “Cotton club stomp” (Ellington, H.Carney, J.Hodjes, 1930). Os bailarinos saltam sobre as mesas, dançam sobre elas, invadem o palco-pista de danças. Entre as canções apresentadas estão: “Satin doll” (Ellton, Strayhorn, Mercer, 1927), “Stomp look and listen” (Ellington, 1947) e “It don't mean a thing” (Ellinton, I.Mills, 1929).

Em um determinado momento do musical, os músicos deixam o palco da orquestra e se juntam aos bailarinos e uma das cantoras. Recursos tecnológicos (pré-gravação da música em estúdio) garantem que os instrumentos continuem em execução para que todo o elenco dance, inclusive os músicos.

Outro ponto alto do espetáculo permite aos bailarinos escolherem espectadores para dançar com eles, em mais um momento de interação e entretenimento para o público.

Serviço: "Emoções Baratas"
Quintas e sábados às 21h, sextas às 21h30 e domingos às 19h.
Estúdio EMME (Antigo Avenida Club) - Avenida Pedroso de Morais, 1.036, Pinheiros. - Tel. (11) 2626-5835.
Ingressos: de R$ 50,00 a R$ 80,00.
Não recomendável para menores de 12 anos.

'Novelo' retrata o universo masculino

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Da Redação

Abordar o universo masculino nas artes cênicas é sempre muito instigante. Pensando assim, o grupo composto por cinco atores: Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo resolveram falar desse mundo no teatro. Com o desejo de cumprir a missão, convidaram uma mulher para escrever sobre ele. Assim, nasceu Novelo.

"Quando recebi o convite, pensei logo: Não seria melhor um homem para desempenhar essa tarefa? Não teria eu olhos preconceituosos em relação ao mundo masculino? Mas os atores não estavam preocupados com essas questões. Então, resolvi abraçar o desafio e fazer este mergulho no masculino em mim", conta a autora do texto Nanna de Castro, que se dedicou durante um ano para a realização da empreitada.

Conforme ela, o estilo da narrativa inédita é um desafio também à direção. Os planos de espaço-tempo cruzam-se e os atores saltam entre fatos acontecidos no passado e no presente. "É um exercício de linguagem, um experimento, em que eu uso um pouco do formato do cinema. Honestamente, sei que criei uma provocação, tanto à direção quanto ao elenco e estou curiosíssima para ver a estreia, a reação do público e tudo que diz respeito a esse delicioso ambiente teatral".

O diretor Zé Henrique de Paula concorda com Nanna, "cada fase dos ensaios, as exigências foram diferentes. No início, o trabalho de mesa consumiu muito tempo, para que nós 'desmontássemos' a peça e analisássemos cada parte separadamente. Depois, houve muito trabalho de pesquisa, para que as individualidades fossem criadas pelos atores. No último período de ensaios, as exigências têm sido de natureza emocional, uma vez que o mergulho de cada ator na sua história só tem se aprofundado. A melhor maneira de responder a todos esses processos é ter flexibilidade e dar muita, mas muita liberdade para os atores durante os ensaios".

A peça aprofunda ao contar a história de cinco irmãos (Maurício, João Pedro, Zeca, Mauro e Cláudio), que se reencontram na sala de espera de um hospital público, após receberem a notícia de que um homem, que pode ser o pai que os abandonou por 20 anos, está internado na UTI.

Este reencontro insólito, depois de tanto tempo, emerge lembranças e sentimentos intensos, desencadeando situações patéticas, questionamentos e discussões. Essas abordagens culminam em resgatar sentimentos dolorosos, envolvendo familiares, os quais muitas vezes apresentam dificuldades para serem tratados com clareza.
Para Zé Henrique, o que mais lhe atrai no texto é a possibilidade de fazer um recorte do "masculino". "Cinco homens diferentes, cinco homens possíveis, cinco homens reais. E, por meio deles, tentar entender melhor o imaginário do gênero como um todo".

Os diálogos são permeados por momentos de humor e poesia, revelando a essência masculina, sua singularidade e complexidades, muitas vezes roteirizadas de forma caricatural, nas artes de forma geral.

É uma peça profunda, comovente e por vezes divertida. Ela apresenta uma visão, envolvendo diversas dimensões do homem contemporâneo, inserindo suas alegrias, conflitos, ambições, coragem, mágoas, medo, frustrações, sonhos e outros estados bastante conhecidos pela humanidade, mesmo sendo de maneira inconsciente.

Serviço: "Novelo"
com Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo.
Sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h.
Teatro Sérgio Cardoso (Sala Paschoal Carlos Magno) - Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista. - Tel. (11) 3288-0136.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).
Não recomendável para menores de 12 anos.

Pela primeira vez nos palcos 'Mulheres Alteradas'

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Da Redação

As atrizes Luiza Tomé, Mel Lisboa e Daniele Valente estreiam, dia 16 de julho, no Teatro Procópio Ferreira, a comédia "Mulheres Alteradas". Como convidado especial, o ator André Bankoff completa o elenco, fazendo parte dessa imensa e divertida atmosfera feminina, composta por três amigas para lá de cativantes e engraçadas.

Elas representam as figuras femininas, que em geral não possuem nomes, da quadrinista argentina Maitena. Essas personagens espelham características de uma mulher universal, cujos assuntos preferidos são corpo, moda, homens, amores, família, filhos, trabalho.

Porém, na adaptação brasileira, elas ganham nomes e personalidades. Lisa (Mel Lisboa) é separada do marido, mãe de um único filho, inteligente, com preocupações fúteis, porém, em crise por causa de um nódulo que apareceu em um dos seios. Alice (Daniele Valente) é uma mulher rica, solteira, vive no “mundo da lua”, mas não desiste de encontrar o seu grande amor. Por última, Norma (Luiza Tomé), uma executiva pragmática, casada, com dois filhos e, agora, se depara com uma terceira gravidez.

Já André Bankoff incorpora vários personagens masculinos sem nomes definidos e repletos de personalidade, os quais prometem criar uma identificação imediata com os homens presentes na plateia.

No palco, além dos atores, a peça Mulheres Alteradas conta com a “Banda Alteradas”: um trio feminino, formado por excelentes musicistas, que executa canções instrumentais, ao vivo, compostas com exclusividade para a montagem.

A peça mapeia o discurso sobre a feminilidade presente no mundo contemporâneo dessas mulheres, assoladas por cobranças e demandas desgastantes e, às vezes, quase impossíveis de atender simultaneamente: trabalhar o dia todo, dentro de casa idem, serem mães maravilhosas, amantes insuperáveis e manter as boas formas física e estética. Isso, sem contar com a necessidade de ostentar uma vida emocional serena, equilibrada, a toda prova.

Serviço: "Mulheres Alteradas"
com Luiza Tomé, Mel Lisboa, Daniele Valente e André Bankoff.
Sextas e sábados às 21h30 e domingos às 19h.
Teatro Procópio Ferreira - Rua Augusta, 2823, Cerqueira César. - Tel. (11) 3083-4475.
Ingressos: de R$ 50,00 a R$ 70,00.
Não recomendável para menores de 12 anos.

'O Meu Amigo Pintor' faz temporada gratuita

quarta-feira, 7 de julho de 2010


Com direção e adaptação cênica do reconhecido diretor teatral Vladimir Capella, estreia no dia 16 de julho, a peça juvenil "O Meu Amigo Pintor", no teatro do Centro Cultural do Banco do Brasil, em São Paulo.

O cenário e figurino são assinados por Fabio Namatame e as telas que compõem o espetáculo levam a assinatura da artista plástica Tomie Ohtake. Já o elenco conta com os atores Kiko Pissolato, Pedro Inoue e Samanta Precioso, entre outros.

O texto é uma adaptação do livro homônimo, da escritora Lygia Bojunga. A história, na forma de um pequeno diário, narra em flash-backs a amizade entre Cláudio, um estudante adolescente, interpretado por Pedro Inoue e um artista plástico (Kiko Pissolato).

No decorrer desse valioso encontro, o pintor revela ao menino o mundo mágico das cores, das formas e da arte fazendo-o despertar para uma nova compreensão da vida.

Porém um dia, ao perdê-lo, o jovem se vê obrigado a descobrir os motivos que o fizeram partir e, através de muitas dúvidas e porquês, mergulha em questões profundas e delicadas que o farão, simbolicamente, transitar da adolescência para a idade adulta.

Serviço: "O Meu Amigo Pintor"
com Kiko Pissolato, Pedro Inoue e Samanta Precioso e grande elenco.
Sextas, sábados e domingos às 16h. (Sessões extras nos sábados: 31 de julho, 07 e 14 de agosto, às 19h30.)
Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Álvares Penteado, 112, Centro. - Tel. (11) 3113-3651.
Ingressos: Entrada franca.
Não recomendável para menores de 12 anos.

As novas 'Confissões das Mulheres de 30'

terça-feira, 6 de julho de 2010

Guilherme Udo
Editor de Teatro


A peça "Confissões das Mulheres de 30" reestreia no Teatro Gazeta em curta temporada após o sucesso obtido na segunda temporada no Teatro Folha. A comédia documental agora conta com direção do Coletivo de Criação Mano que Da Hora, grupo de artistas da área de música, fotografia, vídeo e teatro, e com outro figurino, cenário e desenho de luz.Com linguagem direta, novas confissões bem-humoradas reforçam a dramaturgia de Domingos de Oliveira.

“Agora o espetáculo busca uma maior aproximação com o espectador através do riso e da identificação”, fala Juliana Araripe, atriz que colabora nas novidades do texto e na direção coletiva junto com Camila Raffanti. Patrícia Pichamone, com trabalho sólido no grupo Tapa, completa o elenco. Preocupações, amores e temores das mulheres de 30 são vividos com doses generosas de humor pela tríade.

O debate nem sempre é leve e em alguns relatos o uso excessivo de palavrões para causar riso é de fácil percepção. Mas a história relata bem questões da rotina feminina nesta etapa dos 30 anos, como descontrole emocional, filhos, primeiro namorado após a separação e trabalho e a encenação releva pensamentos e atitudes comuns das trintonas arrancando risos da plateia.

“A comédia mostra exatamente como as mulheres de 30 anos se sentem. Elas têm de ser ‘equilibradas’, dar conta do recado, na esperança de encontrar satisfação aos 40”, diz Camila Raffanti.

As atrizes conseguem manter o ritmo da peça, porém oscilam em suas interpretações: em alguns relatos são extremamente boas, já em outros esquecem um pouco a qualidade. Os melhores momentos são improvisados e surgem das conversas e interações com a plateia.


O cenário é simples e não ajuda a contar a história, servindo de mera decoração. Talvez, fosse mais interessante assumir um formato mais parecido com o stan-up comedy, sem ornamentações, somente com o trabalho das atrizes.

Para curtir melhor seria necessário que os espectadores atrasados não pudessem entrar na sala de espetáculo, pois na sessão assistida, durante os 15 primeiros minutos muitas pessoas ainda entravam quebrando o clima, visto que vazava luz do saguão do teatro, muitos iluminavam o caminho com o celular e ainda conversavam para encontrar seus lugares.

As atrizes Juliana Araripe e Camila Raffanti estão de olho na próxima e criaram o blog www.mulheresreais.blog.br. Parte do conteúdo servirá de matéria-prima para um novo espetáculo.

Serviço: "Confissões das Mulheres de 30"
com Juliana Araripe, Camila Raffanti e Patrícia Pichamone.
Sextas às 21h, sábados às 20h e domingos às 18h.
Teatro Gazeta - Avenida Paulista, 900. - Tel. (11) 3253-4102.
Ingressos: de R$ 50,00 a R$ 60,00.

'A Grande Volta' coloca em cena dois grandes atores

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Guilherme Udo
Editor de Teatro


Em 2001, Paulo Autran se apaixonou pela peça "Le Grand Retour de Boris S.", de Serge Kribus, começou a traduzi-la e a preparar a sua montagem. Mas o grande sucesso de "Visitando o Sr. Green" acabou por mudar seus planos. Agora, passados alguns anos, Marco Ricca dirige a montagem do texto que tanto interessou o grande mestre, "A Grande Volta", com Fúlvio Stefanini e Rodrigo Lombardi interpretando pai e filho, protagonistas de uma história que fala de amor, comprometimento, medo, solidão, sonhos, falhas e de um belo encontro.

Na história, o momento é de crise para o publicitário Henrique (Rodrigo Lombardi): ele acaba de perder o emprego, sua esposa o deixou levando o filho pequeno, e, para completar, seu pai Boris (Fúlvio Stefanini), sem aviso prévio, mudou-se para sua casa. Boris é um ator velho, ultrapassado, há muito tempo fora dos palcos, que acaba de ser chamado para viver um personagem clássico - e dos mais importantes da dramaturgia mundial: "o Rei Lear", de Shakespeare.

Os dois atores com grande domínio do palco defendem muito bem seu papel. Rodrigo Lombardi constrói seu personagem de forma que a plateia se sente tocada desde o início da peça. Já Fúlvio, tem alguns oscila entre bons momentos e alguns de interpretação regular.

A peça de Serge Kribus, tocante e muito bem construída, explora a relação entre pai e filho e as questões de identidade delas decorrentes. O tom às vezes irônico e rude leva, a uma profunda humanidade. Nós somos o que somos, mas também aquilo que os nossos pais nos transmitiram. Henrique não pode fugir de seu pai, apesar do profundo desejo que ele tem de distanciar-se dele. A verdade está aí, os dois homens se parecem. Como em um espelho, pai e filho devolvem um para o outro o mesmo discurso, os mesmos erros, o mesmo medo e a mesma loucura.

A história ameaça transformar-se em tragédia, porém com sensatez, dela se afasta e se encontra na comédia dramática, com a densidade sentimental habilmente recheada de certeiros toques de humor.

Um grande destaque da montagem está no cenário de André Cortez que é simples, mas muito funcional. Consitui-se de uma caixa que ao ser movimentada cria ambientes dinstintos e que servem muito bem para contar àquela história. A iluminação somada ao ambiente garante o clima necessário para o desempenho dos atores.

Serviço: "A Grande Volta"
com Fúlvio Stefanini e Rodrigo Lombardi.
Sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos, às 18h (somente até 15 de agosto).
Teatro FAAP - Rua Alagoas, 903, Higienópolis. - Tel. (11) 3662-7233.
Ingressos: R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia).
Não recomendável para menores de 12 anos.

Murilo Rosa em 'Zorro - O Musical'

terça-feira, 22 de junho de 2010

Elenco de Zorro - O MusicalGuilherme Udo
Editor de Teatro


No próximo dia 16 de julho estreia, em São Paulo, "Zorro - O Musical" com Murilo Rosa no papel título. Na coletiva realizada hoje (22) no Teatro das Artes estavam presentes o ator, a coreógrafa Kátia Barros, o diretor Roberto Lage e o diretor musical Willy Verdaguer.

Segundo Murilo, o espetáculo refletirá a sensualidade do povo brasileiro e o também co-produtor da peça conta que, após assistir ao musical em Paris, apaixonou-se pela montagem, mas aqui o "espetáculo vai falar a nossa língua".

Também no elenco de "Zorro, o Musical" estão Camila Camargo, filha do cantor Zezé Di Camargo, no papel da mocinha Luiza; Claudio Curi, como o Velho Cigano; Naíma, como a Cigana Inês; Gerson Steves, como o Sargento Garcia; e Luiz Araújo, no papel de Ramon.

Como Murilo será protagonista da próxima novela das seis da Globo, "Araguaia", o papel de Zorro será alternado com Jarbas Homem de Melo que também é coreógrafo da montagem. A estreia do musical não contará com a presença de Rosa que poderá ser visto como Zorro somente no início de agosto, quando retorna das gravações na região do Araguaia.

A história

Don Diego de La Vega é um jovem rapaz rico que sai da Califórnia e vai estudar em Barcelona deixando para trás Luiza, o seu amor de infância. Mais tarde, já em Barcelona, Diego se afasta da escola para se juntar ao grupo de músicos ciganos onde se torna a estrela principal. Luiza encontra Diego e pede para que ele volte para Califórnia, pois Ramon, seu irmão, assumiu o poder após a morte de Don Alejandro, pai de Diego, e se tornou um tirano capitão.

Naíma, em cena de Zorro - O Musical, como Cigana InêsInês, uma cigana apaixonada por Diego, convence todos os ciganos do grupo a irem para Califórnia ajudá-lo. Após testemunhar a crueldade de Ramon, Diego decide criar um herói para combatê-lo adotando o nome de Zorro. Ramon quer acabar com Zorro enquanto o herói luta por paz para o seu povoado.

Há ainda uma disputa amorosa: a cigana Inês sonha em ser correspondida por seu amor e Luiza quer saber quem é o homem por trás daquela mascara.

A montagem

Baseado na obra da escritora Isabel Allende, o espetáculo é uma versão musical que já passou por Londres e Paris com grande sucesso.

Dirigido por Roberto Lage, a versão brasileira será executada por uma orquestra de 10 músicos com direção musical de Willy Verdaguer. A produção inclui lutas de esgrima e a coreografia é uma mistura de dança contemporânea e dança flamenca. Já a trilha sonora é um dos pontos altos do espetáculo com músicas compostas pelo famoso grupo francês Gipsy Kings, entre elas os sucessos "Djobi, Djoba", "Bamboleo" e "Baila Baila".

O teatro conceito

O projeto vai proporcionar ao público uma nova experiência de assistir teatro musical, levando para a cidade de São Paulo o primeiro teatro conceito. Seguindo a tendência de muitos espetáculos da Broadway e de varias produções de Las Vegas, a produtora irá caracterizar o espaço do Teatro das Artes com cenografia temática desde a bilheteira até a sala de espetáculo.

Jarbas Homem de Melo como Zorro
Fotos: Bruno Lanfranchi - Especial para o Enteatro

Serviço: "Zorro - O Musical"
com Murilo Rosa, Jarbas Homem de Melo, Naíma, Camila Camargo e grande elenco.
Sextas e sábados às 21h e domingos às 19h.
Teatro das Artes (Shopping Eldorado) - Avenida Rebouças, 3970, 3º piso. - Tel. (11) 3034-0075.
Ingressos: R$ 90,00 a R$ 140,00. Desconto de 50 % na compra antecipada, até o dia 11 de julho.
Livre (menores de 12 anos somente acompanhados).